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NEM

O Núcleo de Estudos de Mediação

O NEM (Núcleo de Estudos de Mediação) foi criado em 2002 na Escola Superior da Magistratura do Rio Grande do Sul, por José Luis Bolzan de Morais, Procurador do Estado, com a finalidade de promover um espaço para estudo sobre a Mediação de Conflitos.

Periodicamente o NEM realiza encontros para o aprofundamento dos aspectos teóricos e práticos, reflexões e pesquisas sobre o tema.

Os projetos

Com o olhar voltado à comunidade, o NEM levou adiante, em 2007, o Projeto de Mediação Comunitária na Lomba do Pinheiro em Porto Alegre, preparando Mediadores comunitários e a estrutura básica de atendimento social.

Em 2013 o Núcleo colaborou com sugestões à proposta de construção do Código de Convivência do Município de Porto Alegre.

Em 2014, encaminhou sugestões à Comissão Legislativa do Código de Processo Civil e a Lei de Mediação.

Em 2017, por ocasião dos 15 anos do Núcleo, coordenado pela Desembargadora Genacéia Alberton, que esteve a frente do NEM por longos anos, promoveu durante o ano, palestras e encontros de relevância para a Mediação, dentre os quais destacou-se o tema Comunicação Não Violenta.

Em 2019 o NEM promoveu a primeira reunião híbrida do grupo permitindo a participação de integrantes que não moravam em Porto Alegre.

Em 2022, em comemoração aos 20 anos do NEM, seus integrantes publicaram o e-book Semediando que compilou histórias de sucesso da Mediação, apresentadas no formato de contos. O lançamento oficial foi durante a Jornada de Mediação do Nupemec TJRS em novembro daquele ano.

As inovações

Com o advento da pandemia de Covid-19, em 2020, à época coordenado pela Desa. Vanderlei Teresinha Tremeia Kubiak, o Núcleo passou a realizar seus encontros de forma virtual, alcançando Mediadores de todo o Brasil.

A coordenação

Desde abril de 2020 o Núcleo de Estudos de Mediação é coordenado pela Juíza de Direito, Josiane Calleffi Estivalet recebendo o Núcleo das Coordenadoras anteriores, Desembargadora Genacéia Alberton e Desembargadora Vanderlei Teresinh Kubiak.

O NEM

Nas palavras da Desembargadora Genacéia Alberton, "a paixão pela mediação e a cooperação dos seus integrantes, consolidam o Núcleo de Estudos como um importante marco na história da mediação no Rio Grande do Sul”.

MEDIADOR, SEMEDIADOR

    
    Comemorando os 20 anos do NEM, neste ano de 2022, gostaríamos de reviver alguns momentos importantes para o Núcleo e para a mediação. Um desses momentos foi quando, em 2017, o integrante do NEM, Mediador, Instrutor de Mediação, Semediador (como gosta de ser chamado!) Henrique Alam de Mello de Souza e Silva nos brindou com o texto que você poderá ler a seguir. Desde 2016 Henrique já havia cunhado o termo "semediar" e passou a utilizá-lo, designando-se "semediador".
    
    Foi no ano de 2016 que Henrique Alam brindou o NEM com o poema "Mediador, semediador", motivo da V Jornada de Mediação do Nupemec/TJRS.

Mediador, semediador

Perdoem-me os linguistas e os estudiosos do idioma.
Perdoem-me os letrados e as pessoas avessas às mudanças.
Não se trata de inventar palavras,
não estou ofendendo a Língua Portuguesa.
Digo-o por plena convicção.
Digo-o por pleno amor.
Se, no meu ofício, planto ideias... de do meu esforço saem frutos...
Nada mais justo, nada mais conclusivo
Do que me chamarem "semediador"!

- Henrique Alam de Mello de Souza e Silva
Mediador Judicial

(publicado pela primeira vez no ano de 2016)

    Com muito orgulho compartilhamos, novamente, o texto que foi publicado originalmente publicado em 21/07/2017 em https://www.blogger.com/blog/post/edit/2304960730461266990/2563049660259977539


Semediar com Amor

Por Henrique Alam de Mello de Souza e Silva


Quanto mais conhecemos o trabalho de grandes mediadores, mais nos motivamos a fazer um trabalho melhor. Olhamos para mediadores que são referências locais, como alguns professores ou estudiosos da Mediação; vemos o trabalho de mediadores regionais ou nacionais, que dão palestras e cursos para um grande número de pessoas, e que (espera-se) trabalharam em casos difíceis de mediação envolvendo múltiplas partes ou comunidades. Temos, ainda, mediadores que alcançaram um nível internacional, fazendo conexão entre grandes grupos ou países. Independentemente do nível em que eles estão (ou que nós estamos), sempre haverá pessoas para termos como referências. A essas pessoas chamo de “semediadores”.

E como fazer para alcançarmos o melhor de nós? Sim, porque o que queremos não é alcançar o mesmo nível dessas pessoas: elas devem ser nossas referências, nossos parâmetros, mas ninguém melhor a superar ou a atingir do que a nós mesmos. Pois bem, como fazê-lo? 


A resposta poderia ser dada de várias maneiras — e todas elas terão como base a prática da mediação aliada à leitura —, mas creio que seja possível um norte para iniciarmos nossa melhora individual, resumido numa bonita sigla: AMOR.


“A”, de “autenticidade”. A letra inicial da nossa dica é, sem dúvida, o objetivo mais difícil de ser alcançado. Comecei nossa reflexão dizendo que admiramos pessoas, que reconhecemos o trabalho que os outros fazem; afora isso, sabemos que há mediadores que escreveram verdadeiras obras sobre mediação, que têm insights sensacionais, que nos envolvem com seus cursos e suas aulas (eu próprio, enquanto escrevo essas linhas, lembro de tantas mulheres e homens que representam pra mim o meu melhor adubo para a semediação!). 


Entretanto, o que o mediando busca em nós não é a encarnação de um “Como chegar ao sim”, nem a  elegância da Tânia, ou o sorriso da Izabel, nem a precisão cirúrgica do Marcelo, o conhecimento da Ana Valéria, ou a fala calma do Cláudio, nem a paz no olhar da Vanderlei. São características boas, e devem ser inspiração para nós. Mas os mediandos que procuraram nosso trabalho esperam de nós que sejamos — mais do que qualquer coisa — autênticos. É preciso valorizar as qualidades dos outros, desde que as nossas próprias tenham igual prestígio por nós mesmos. Se as pessoas a quem atendemos na mediação pudessem escolher entre confidencialidade e autenticidade, tenho plena convicção de que optariam por mediadores autênticos, e neles passariam a confiar.


Autenticidade (é bom que se diga) não tem a ver com “ser como se é, e ponto!”. Isso seria, na melhor das hipóteses, arrogância. A autenticidade que aqui me refiro é ter muitos bons exemplos, e segui-los na exata medida da naturalidade.


“M”, de “metodologia”. Em todos os cursos e livros básicos ou avançados somos informados de que existem “mediadores natos”. Com frequência, utilizam a imagem da mãe com os filhos, ou de alguma professora ou outra profissão ou tarefa que medeie conflitos. Assim é. Em certo sentido, somos todos potenciais mediadores tais qual a semente é uma árvore em potencial. E, por mais que tenhamos que buscar a autenticidade, não poderemos deixar de ter uma metodologia, porque também não há árvore sem raiz.


Num panorama atual, percebemos que há, basicamente, três métodos de mediação: a facilitadora, a avaliativa e a transformadora, que são subdesenvolvidas em muitas outras. Não há tempo para entrar aqui em explicações ou opções por um ou outro método, mas é interessante que os tenhamos em conta, para servir de base na nossa atuação. A metodologia será nosso ponto de partida, pois indicará a postura frente aos mediandos, as leituras que faremos e os resultados que queremos obter. Também será parâmetro para aperfeiçoarmos ou desenvolvermos outros métodos, jamais podendo ser para nós uma forma de aprisionamento, mas sim de chão firme para apoiarmos nossos pés. Grandes semediadores têm, portanto, autenticidade e metodologia.


“O”, de “organização”. Semediadores devem ser pessoas organizadas, no sentido mais amplo que possa ser entendida a qualidade da organização. Talvez comecemos pela nossa agenda, quando combinamos a data do primeiro encontro com os mediandos ou quando reagendamos as sessões. Não é bom sinal deixar alguém esperando, ou ter que transferir os encontros por falta de organização. Os encontros devem sempre acontecer nos horários agendados, até porque pode ser que nosso atraso seja ponto de reforço para a espiral conflitiva, ou — pior ainda! — causa para romper-se a confiança antes depositada.


A organização perpassa também por outro campo: aquilo que devemos estudar. Atualmente quase não temos dificuldade de encontrar bons livros de mediação, produzidos aqui ou traduzidos. Mas poucos — pouquíssimos — anos atrás, era difícil achar obras boas em português, e a compra pela internet acabava desmotivando pelo alto preço a ser pago com o frete e os impostos. 


A produção de muitas e boas obras deve ser um alerta para os mediadores afeitos da leitura: há que se ampliar o conhecimento, mas é bom ser organizado no que se lê. A frenética procura por livros pode acarretar compras desnecessárias e assuntos que poderão nunca ser trabalhados. Em contrapartida, aquele que se dedica bem a um tema (ou, pelo menos, a um tema por vez) terá mais chances de oferecer um trabalho mais sólido e organizado.


“R”, de “reciclagem”. Todos os meus grandes mestres, vi isso conforme foi passando o tempo, tiveram ou têm períodos de reciclagem. E, quanto mais admiro um professor, mais sei que é também decorrência das novidades que me apresentam. 


A reciclagem é irmã gêmea da coragem e da humildade. Andam juntas, inseparáveis. Não há reciclagem sem humildade, porque não é fácil reconhecer que somos seres em evolução, que os conflitos de ontem não são os mesmos de hoje, que o contexto não é o mesmo se comparado a quando começamos a trabalhar com mediação. E, para se reciclar, é importante — melhor, é fundamental — ter coragem. É a coragem a responsável pelo nosso melhor desenvolvimento pessoal, é aquele desacomodar-se, é o pensar fora da caixa, é a saída da zona de conforto. Sem coragem não há reciclagem, nem mesmo há humildade, porque se reconhecer necessário de mudança é também um ato corajoso.


Essas são minhas impressões sobre o que tenho visto de boas características dos grandes mestres, sejam eles famosos ou anônimos. Pessoas que se destacam com seus carismas pessoais e que contribuem significativamente para o meu crescimento e, sobretudo, para a minha vontade de ser melhor. 


O segredo de todas elas (agora revelado!) é aquilo que sempre foi evidente, e que sustenta todo o trabalho: o AMOR!


Henrique Alam de Mello de Souza e Silva,

Semediador.


Mediação em Perspectiva

2020, o ano em que o NEM completa sua maioridade, relembramos um momento muito especial que foram os 15 anos no Núcleo, amplamente comemorados.

Na ocasião, por iniciativa da então coordenadora do Núcleo, a Desembargadora Genacéia Alberton, os integrantes do NEM reuniram-se a fim de publicar um livro com parte daquilo que era fruto dos trabalho e estudos do grupo nos últimos 15 anos. Assim nasceu Mediação em Perspectiva.

Citamos aqui a bela apresentação do livro nas palavras da Desa. Genacéia Alberton: 
Mediação em Perspectiva

"Apresentar o livro comemorativo dos quinze anos do NEM (Núcleo de Estudos de Mediação) é motivo de emoção, pois a obra se concretiza após anos de estudo, encontros, desencontros e a criação de laços fraternos, invisíveis aos olhos, mas que estão presentes no coração de cada um que passou ou que permanece nele. 
O NEM, da Escola Superior da Magistratura - AJURIS, criado em 2002 pelo Dr. Jose Luiz Bolzan de Moraes, está completando quinze anos de atividade ininterrupta. O propósito da Escola era criar a possibilidade de estudo e desenvolvimento de pesquisas em diferentes áreas do conhecimento tendo em vista o caráter transdisciplinar da mediação. 
Divulgada no sul do país por Warat, o movimento em prol de métodos não adversariais de atendimento de conflitos, especialmente da mediação, era fortalecido, na área familiar, pelos alunos de Cárdenas, da Argentina. E o NEM foi se estruturando como espaço de reflexão, de comprometimento e que exigia esforço de equipe. 
Vista como meio alternativo de solução de conflitos na linha das ADRs (Alternative Dispute Resolutions), iniciavam, de forma tímida, as propostas legislativas para normatizar a mediação. Por esse motivo, o NEM se dedicou ao estudo do projeto de lei da Deputada Zulaê Cobra para oferecer subsídios à efetivação dos método autocompositivos da mediação judicial. Os encontros eram semanais e o entusiasmo unia os integrantes do grupo. Mas, sentíamos que a mediação deveria sair de um espaço restrito de estudo, com caráter acadêmico, para a vida das ruas, para as comunidades. Surgiu, então, por várias mãos e cabeças, o Projeto Comunitário da Lomba do Pinheiro. 
Como havia um movimento favorável à mudança, com o suporte da Ministério da Justiça, por sua Secretaria de Reforma do Poder Judiciário e o apoio do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, Defensoria Pública do Estado do Rio grande do Sul e da Escola Superior da Magistratura – AJURIS foi possível levar adiante a proposta de formar agentes de mediação comunitária. 
Com perseverança, o NEM se manteve sempre ativo. Após quinze anos, vemos que foram muitos os avanços da Mediação no Brasil com a resolução 125 do Conselho Nacional de Justiça, o novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105/2015) e Lei de Mediação (Lei n.13140/2015), mas os desafios continuam. 
A proposta de um livro em homenagem aos quinze anos do NEM, através de obra coletiva, visa trazer ao público textos de nomes referenciais na área de mediação, assim como dar voz aos nossos mediadores judiciais do Rio Grande do Sul com seus diferentes olhares, apresentando aspectos peculiares da mediação em perspectiva de futuro.
Por isso, é indispensável externalizar meus agradecimentos e as homenagens do NEM aos colaboradores convidados e aos integrantes do NEM que aceitaram o convite e se dispuseram a integrar esta coletânea. A obra foi resultado de um trabalho de equipe. Eis o motivo pelo qual é necessário manifestar minha gratidão às colegas que integraram a equipe de apoio técnico: Aline Leão, Fernanda dos Santos Macedo, Olívia Teixeira, Liara Lopes Kruger e Cláudia Barbedo que, com disponibilidade, competência e atitude cooperativa, fizeram com que se tornasse possível celebrar o movimento festivo dos quinze anos NEM com a publicação da obra Mediação em Perspectiva. 
Há muito a construir, pensar e desenvolver na área da Mediação. Que a leitura desta obra inspire o estudo e a prática da mediação, colaborando para a humanização das relações interpessoais e uma cultura de paz. "

NEM está em luto


O Núcleo de Estudos de Mediação da Escola Superior da Magistratura- AJURIS (NEM) está em luto porque no dia 25 de julho faleceu um de seus integrantes, servidor do Poder Judiciário, mediador, instrutor, Cláudio Fernandes Machado. Incansável na sua atividade como mediador, acolhedor, cooperativo e comprometido com a pacificação, Cláudio teve atuação marcante no Núcleo de Estudos de Mediação. 
Como mediador e instrutor, integrou ativamente em mediações de múltiplas partes, o que lhe deu suporte à sua Dissertação de Mestrado na APEP- IUKB, na Argentina. Teve seu trabalho divulgado na Coleção Mediação sob o título: Mediação com múltiplas partes no setor agrícola do Estado do Rio Grande do Sul: diálogo como instrumento de mudança de paradigma.
Como mediadores, estamos acostumados a trabalhar com as perdas. A morte é uma perda que ocorre em nossas vidas, mas nunca estamos suficientemente preparados, especialmente, quando o fato se dá de forma inesperada como ocorreu com Cláudio, vítima de infarto.
Claudio Fernandes Machado
Como os indivíduos, as organizações sentem o impacto da perda de um de seus membros. Isto está ocorrendo com o NEM, pois cada integrante do Núcleo de Estudos de Mediação faz parte da sua história.
Na obra Formação e rompimento dos laços afetivos, John Bolwby, ao discorrer sobre o luto, aponta a necessidade de passarmos por essa fase dolorida de impacto e consternação. E seguindo o necessário rito do luto é que não poderia deixar de me manifestar.
Há mais de 15 anos em atuação, o Núcleo de Estudos de Mediação, além de ser um espaço de estudo, reflexão e ação em prol da mediação e da pacificação social, o NEM se constitui em uma equipe de amigos que têm em comum o objetivo de colaborar para um mundo melhor, com mais entendimento, diálogo, respeito às diferenças, colaborando para a construção de relações de afeto, centrada na dignidade humana.
Portanto, não perdemos apenas um integrante de equipe, mas um amigo. Manifestamos nosso sentimento, nossa tristeza e nossa gratidão por aquilo que Cláudio Fernandes Machado foi para o NEM e para cada um de nós. Ele não nos abandonou, apenas seguiu seu caminho e o caminho que será de cada um de nós, pois somos finitos. Por isso, não evitamos o luto, o reconhecemos.
Nosso agradecimento ao querido amigo não apenas por aquilo que realizou, mas pelo testemunho que sempre deu nas relações interpessoais de efetivo ser humano com o olhar sempre atento ao outro e às suas necessidades, mesmo que fosse apenas de um sorriso ou um abraço amigo.
À família manifestamos nossa solidariedade e abraço de conforto.
Saudades. Na tristeza continuamos unidos: # Somos NEM.
Genacéia da Silva Alberton – Desembargadora
Coordenadora do Núcleo de Estudos de Mediação da ESM- AJURIS


Nem Memória: Homenagem a Izabel Fagundes



O NEM Memória tem o objetivo de reconhecer o trabalho de pessoas que colaboraram para o desenvolvimento do Núcleo de Estudos de Mediação, assim como para o desenvolvimento da Mediação no Estado do Rio Grande do Sul. Nesta edição, a homenageada é a Assistente social, Mediadora, Instrutora, Supervisora (TJ-RS/CNJ) e Coordenadora dos Curso de Capacitação de Mediadores da Escola Superior da Magistratura - Ajuris, Izabel Cristina Peres Fagundes.

A Parceria e Competência de Izabel

É para mim um momento especial homenagear Izabel Peres Fagundes. Presente com Rosemari Seewald nos encontros do Núcleo de Estudos de Mediação, desde 2004,quando decidi fazer parte do Núcleo de Estudos de Mediação, via nas duas amizade e confiança mútua. Com entusiasmo e competência, Izabel participou com Rosemari e demais integrantes do Núcleo de Estudos de Mediação no Projeto de Mediação Comunitária da Lomba do Pinheiro. Percebia seus olhos brilharem ao conversar com os agentes comunitários, ao trazer notícias sobre o projeto. Não havia qualquer retorno financeiro, era pura gratuidade e crença no movimento da mediação. Quando faleceu Rosemari e fui convidada pela Desa. Vanderlei Kubiak e Des. Aquino de Camargo para pensar a mediação em segundo grau, não tive dúvida na escolha de alguém que precisaria ter ao meu lado, Izabel. Formamos o GT de implantação da Mediação no Segundo Grau. Reuniamo-nos às sextas feiras, juntamente com pessoas que acreditavam na proposta da Mediação como a Dra. Edith Nepomuceno e Desa. Vanderlei, Luciane Morais de Vargas e outros abnegados pela causa. Enquanto, silenciosamente, trabalhávamos com afinco, pensávamos nas simplificações e propostas de trabalho da Mediação em Segundo Grau e o vínculo de amizade com Izabel aumentava.

Finalmente, foi instalada a Mediação em Segundo Grau e recordo, quando Izabel, com aquele sorriso alegre, sempre disposta a superar desafios, pensou em uma Jornada de Mediação. Nessa caminhada foram se agregando outras companheiras, Gisela Wurlitzer e Liara Kruger, além da incansável Raquel Didonet. Núcleo de Estudos de Mediação e Nupemec se uniram para trabalhar em prol da Mediação. Mais uma vez Izabel me trazia uma proposta, a de apresentarmos o projeto de Mediação em Segundo Grau no Congresso de Mediação em Valência, Espanha. Tudo ia acontecendo e nos envolvendo de tal forma que nos vimos em plena Valência, falando sobre a Mediação do Poder Judiciário do Rio Grande do Sul para uma plateia atenta e ávida por saber o que acontecia na parte sul do Brasil. A comunicabilidade, responsabilidade e competência de Izabel fizeram com que se pudesse contar com ela em todos os eventos. Izabel sempre encontrava alguém ou algo a nos surpreender. Foram muitos momentos alegres e de emoção que passamos juntas em cursos, encontros de Mediação, Congressos, Jornadas de Mediação. Sentíamos que estava valendo a pena o cansaço, o estudo incessante, os inúmeros e-mails e reuniões. Izabel faz parte da história da Mediação no Poder Judiciário do Rio Grande do Sul e, por isso, merece a homenagem do NEM. Obrigada, Izabel, a Mediação agradece.

Genacéia da Silva Alberton 
Coordenadora do NEM

Depoimento

Querida Izabel: Te conhecer e conviver contigo foi e continua sendo um grande prazer. Tua maneira acolhedora e amiga abre caminhos e torna a jornada uma caminhada de sabedoria e aprendizado, com leveza e alegria. Obrigada por fazer parte da minha vida pessoal e profissional. Um grande beijo!


Gisela Wurlitzer Diniz
Mediadora, Instrutora e Supervisora - TJRS / CNJ
Foi Coordenadora Pedagógica do Nupemec - TJRS



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Com a palavra: Izabel Cristina Peres Fagundes

Durante o I Congresso Nacional do Instituto Proteger
A jornada de Izabel.
Sempre acreditei que o caminho se faz caminhando e, que nesta jornada, nunca estamos sós. Ao determinamos alguns propósitos em nossa vida, encontramos pessoas que nos estimulam a realizar nossos sonhos. Inicio meu relato agradecendo à Desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul Genacéia da Silva Alberton e aos demais integrantes da coordenação do Núcleo de Estudos de Mediação – NEM – da Escola Superior da Magistratura da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul – AJURIS - que me convidaram a socializar minha trajetória na área de mediação. A mediação passou a fazer parte de minha vida profissional quando, em 2001, como assistente social judiciária do Fórum da cidade de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, participei do curso de extensão na Universidade do Vale do Rio dos Unisinos – UNISINOS - Separação, Divórcio e Mediação Familiar: Solução Alternativa para o Litígio, promovido pelas mediadoras familiares Alice Costa Porto e Rosemari Seewald. Desde então, mudei a forma de ver os litígios judiciais e passei a interessar-me pelo tema. 
"Sempre acreditei na capacidade e autonomia das pessoas para resolverem seus próprios conflitos
Mediação Familiar e Mediação Comunitária: Vivenciando a transformação.
Izabel no NEM ( a direita), Projeto de Mediação Comunitária
A convite da colega Rosemari Seewald realizei minha primeira capacitação como mediadora familiar, dando início à prática e posterior docência em mediação. Sob sua coordenação, integrei um grupo de mediadores voluntários que atuavam nas Varas de Família dos Fóruns de Novo Hamburgo e São Leopoldo. A união destes profissionais propiciou a criação da Associação de Mediadores Desatando Nós e Criando Laços, com o objetivo de capacitar mediadores comunitários. Este importante projeto beneficiou comunidades empobrecidas do município de São Leopoldo e fazia parte do Programa de Justiça Comunitária do Ministério da Justiça e o Programa Nacional de Segurança com Cidadania - PRONACI. Em 2002, passei a participar do Núcleo de Estudo em Mediação da Escola Superior da Magistratura da AJURIS. À época, além de estudar temas referentes à mediação, o NEM preocupava-se em contribuir para a construção do Projeto de Lei Federal nº 4.827/98 de autoria da Deputada Zulaiê Cobra, que visava institucionalizar e disciplinar a mediação como método de prevenção e solução consensual de solução de conflitos. Em minha trajetória pelo NEM, em 2008, participei do projeto piloto de Justiça Comunitária desenvolvido no Centro de Promoção da Criança e Adolescente (CPCA), no bairro Lomba do Pinheiro de Porto Alegre/RS. Contribui para a capacitação de mediadores comunitários junto a magistrados e profissionais de diferentes áreas de conhecimento. Foi uma experiência inesquecível. Além de compartilhar conhecimento com profissionais comprometidos em abraçar a causa, tive a grata experiência de conviver e aprender com pessoas humildes que conseguiram, de forma hábil, lidar com os conflitos comunitários de seu cotidiano, demonstrando o efeito transformador da mediação nos diferentes campos de atuação. 


Implementação e desenvolvimento da Mediação no Tribunal de Justiça Gaúcho: pioneirismo e excelência.
Da esq para dir: Raquel Didonet, Izabel, Desa Vanderlei
 Kubiak, Desa Genacéia Alberton, Gisela Diniz e Liara Krüger
Outro desafio foi-me apresentado através de um convite da  Desª Genacéia da Silva Alberton: passei a contribuir para a elaboração de um projeto que incluiu a mediação no 2ª Grau do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul - TJRS. O trabalho realizado, motivo de destaque ao TJ-RS, foi apresentado por nós no VIII Fórum Mundial de Mediação, realizado em 2012 na cidade de Valência, Espanha. Com esse projeto, o TJ passou a ser um dos tribunais pioneiros no país na inclusão da mediação nesta etapa processual. Não posso deixar de referir-me à pessoa do Dr. Roberto Arriada Lorea, a quem serei eternamente agradecida pelo reconhecimento, incentivo e apoio nessa minha caminhada pela mediação junto ao TJRS. Em 2011, quando ele atuava como Juiz titular do Juizado da Violência Doméstica de Porto Alegre e eu, como assistente social, Dr. Lorea me apresentou o trabalho que vinha sendo desenvolvido pelo Conselho Nacional de Justiça – CNJ na implementação da mediação nos Tribunais de todo o país. Recordo até hoje do seu entusiasmo com a ideia de iniciar o projeto de mediação nas Varas de Família do Rio Grande do Sul. Fui, então, em busca desse novo caminho, contribuindo para o desenvolvimento da Política Institucional de Resolução de Conflitos através da mediação junto ao Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (NUPEMEC - TJRS). Com apoio e iniciativa da Desembargadora Vanderlei Teresinha Tremeia Kubiak, Coordenadora do NUPEMEC-TJRS, e da Desembargadora Genacéia da Silva Alberton, Coordenadora da Formação Continuada dos Mediadores Judiciais, em novembro de 2011 integrei a turma do 1ª Curso Básico de Mediação promovido pelo CNJ na capacitação de Mediadores Judiciais do TJRS. Em 2012, a convite das referidas Desembargadoras, passei a fazer parte da equipe administrativa e pedagógica do NUPEMEC-TJRS, iniciando a implementação da politica pública e institucional dos métodos autocompositivos, na capacitação, supervisão e formação continuada de mediadores judiciais que vieram a atuar nos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania - CEJUSCs de todo o Estado.

A construção de um programa de formação continuada de mediadores.

Dando continuidade ao trabalho proposto e sentindo a necessidade de oferecer aos mediadores judiciais um conhecimento mais aprofundado sobre os aspectos que contemplam a essência da mediação, surgiu-me a ideia de promovermos um encontro sobre as bases sócio-filosóficas da mediação com a professora argentina Gabriela Jablkowski, Mestre em mediação negociação e Coordenadora Pedagógica da Maestria Latinoamericada Europeia en Mediación y Negociación do Institut Universitaire Kurt Böche- Suiça e do Programa de Estudios de Pósgrado Associación Civil de Buenos Aires-Argentina. Este encontro, realizado no mês de Setembro de 2012, converteu-se na 1ª Jornada de Mediação Judicial do TJRS. Pelos temas abordados e pela qualidade de seus palestrantes nacionais e internacionais, tornou-se um evento de destaque, obtendo reconhecimento nacional e internacional. Foi o primeiro passo na construção de um programa pedagógico para mediadores na sua formação continuada. Somando-se a todas essas iniciativas, cabe destacar minha participação na criação da plataforma de supervisão em Ensino à Distância – EAD, em 2013, com o objetivo de atender as necessidades dos mediadores residentes no interior do estado do Rio Grande do Sul.  O trabalho, considerado como pioneiro e inovador, foi apresentado na I Conferência Nacional de Conciliação e Mediação do CNJ em Brasília/DF. O trabalho de supervisão também foi apresentado por mim no X Congresso Mundial de Mediação realizado  em Gênova, Itália, em 2015. Além disso, destaco a minha participação na idealização e coordenação de dois vídeos de mediações simuladas, realizados pela equipe pedagógica do NUPEMEC-TJRS, em parceria com o Centro de Ensino a Distância do TJRS (CEAD). O vídeo “A Locatária” foi incluído ao material pedagógico do CNJ na capacitação de mediadores cíveis, e o vídeo “Um bem maior” vem sendo utilizado nos cursos para mediadores familiares.




Prêmios, reconhecimentos e parcerias.

Desa. Vanderlei Kubiak, Luciane, Liara, Izabel e Gisela.
Todo o trabalho desenvolvido fez com que em 2013 o NUPEMEC/TJRS fosse reconhecido pelo CNJ como um dos polos formador de instrutores. Juntamente com mais duas colegas que comigo compunham a equipe pedagógica do NUPEMEC/TJRS, recebeu o prêmio “Conciliar é Legal” na categoria de “Instrutores de Mediação e Conciliação”. Em dezembro do mesmo anos, junto com as colegas com quem trabalhava, fui convidada a participar da I Conferência Nacional de Mediação de Família e Práticas Colaborativas para  apresentar a proposta do conteúdo programático de treinamento em mediação de família que vinha sendo criado pelo NUPEMEC/TJRS.

No centro da foto: Rosemari Seewald, Dr. Conrado Paulino
da Rosa e Izabel
Nessa caminhada, destaco a participação das colegas Gisela Wurlitzer Diniz, Liara Lopez Krüger e Raquel Sampaio Didonet, parceiras nesses cinco anos em que estive no NUPEMEC/TJRS. Muito contribuíram para o meu crescimento pessoal e profissional, ao dividirem responsabilidades e comprometerem-se de forma competente na implantação da mediação no TJRS. O avanço e continuidade do trabalho só foi possível, devido a adesão e o comprometimento de mediadores voluntários, aos quais faço o meu especial agradecimento pelo trabalho que cada um vem desenvolvendo na promoção da mediação. Nas pessoas da juíza Josiane Callef Estivalet e dos juízes Daniel Englert Barbosa e Marcelo Malizia Cabral, os quais admiro pelo trabalho que realizam. Manifesto os meus sinceros agradecimentos a todos os magistrados que acreditam na mediação e que caminharam comigo no período em que estive na equipe de coordenação pedagógica do NUPEMEC. Em julho de 2016, devido a aposentadoria, deixei de fazer parte da equipe pedagógica do NUPEMEC/TJRS. No mesmo ano, a convite dos diretores da Escola Superior da Magistratura da AJURIS, Des. Claudio Luis Martinewski e Dra. Rosana Broglio Garbin, passei a coordenar os cursos de mediação, promovendo a capacitação e supervisão de mediadores judiciais, conforme convênio estabelecido entre a ESM/AJURIS e o TJRS. Na área da docência, continuo capacitando mediadores  e ministro aulas nos cursos de pós- graduação e extensão em faculdades e em cursos especializados. Ao transmitir esses conhecimentos, percebo que os referenciais teóricos  provocam mudanças em todas as áreas em que a mediação se apresenta. Ao finalizar, registro minha homenagem e meu respeito a todos que, nesses 15 anos, através do Núcleo de Estudo de Mediação da AJURIS, têm se empenhado em promover ações específicas para que a essência da mediação seja garantida, reconhecida e, cada vez mais, eficiente na resolução de conflitos.



"A mediação tem, por essência, o poder de despertar nas pessoas o que de melhor e mais humano há em cada um de nós. Possibilita reconhecer nossa  capacidade intrínseca de construir uma convivência pacífica  e contribuir para uma sociedade colaborativa, cooperativa e mais pacífica."
Da esq para dir, de cima para baixo: 1. Izabel na Corte Norte-Americana durante Curso na Universidade de Columbia, 2. Izabel e William Ury, 3. Izabel e Sarah Coob, 4. Com Dr. Marcelo Malizia no Cejusc Pelotas/RS; 5. Em evento do IBDFAM-RS; 3. Com Joseph P. Folger e Desa Genaceia Alberton, 4. Em sessão de autógrafos do livro "Mediação de Conflitos: Paradigmas Contemporâneos e Fundamentos para a Prática”, organizados pelas mediadoras Marilene Marodin e Fernanda Molinari; 5. Com o Mediador argentino Juan Carlos Vezzulla; 6. Na posse da Diretoria do IBDFAM com Mauro (TJRJ), Dr. Conrado Paulino, Naura Americano e Luciane.







NEM 15 ANOS: CONTINUAM OS DESAFIOS

Genacéia da Silva Alberton
Desembargadora
Coordenadora do Núcleo de Estudos de Mediação
Escola Superior da Magistratura - AJURIS

Nem mago, nem profeta, o jurista, pensador e operador, trabalha com a racionalidade do Direito. Atento à complexidade de seu tempo e respeitando a necessidade de estabilização, o jurista não pode se fechar às mudanças. Participando delas, não pode apenas aplicar a normatização posta, mas deve atuar na construção e revisão do Direito.

A ele é conferido o dever de pensar o subsistema jurídico de sua época, reconhecer aquilo em que ele pode agir assim como identificar os fatos da vida geradores de inusitadas situações sociais ainda não normatizadas pelo Direito. Não pode, pois, o jurista se manter alheio ao que está acontecendo se pretender identificar quais os paradigmas que merecem ser mantidos e aqueles a superar ou superados.(1)

Porém, assim como ocorre do ponto de vista histórico, também no enfoque jurídico, o processo de prognóstico deve se basear necessariamente no conhecimento do passado, pois terá uma relação com aquilo que já ocorreu. É necessário analisar aspectos que foram importantes, as tendências que apontam e que tipos de problemas apresentam.(2)

Esse é o desafio a que nos propomos. Trabalhando por longos anos na atividade jurisdicional, percebemos que as alterações históricas não permitem mais uma jurisdição atrelada apenas à soberania do Estado, que não é mais possível à identificação de um juiz inerte, terceiro imparcial a “solucionar” conflitos individuais, não é mais possível a realização de uma jurisdição do conflito, uma jurisdição ilhada apenas a um espaço delimitado nacional. Os problemas são macro, os conflitos extrapolam a área do puramente individual, o juiz não se submete mais à carga da norma injusta, ele também não quer calar, não quer ser a boca da lei, mas a boca do cidadão.
História, pensamento filosófico de uma ação comunicativa, crise de transição e a democracia como espaço possível para uma jurisdição que precisa ser repensada são os ingredientes para uma proposta de trabalho.”

Iniciei com a introdução da minha tese de Doutorado que defendi em 2003 (3), sob a orientação do Dr. José Luís Bolzan de Morais, quando o movimento da mediação estava começando a ser difundido, abrindo possibilidade de atuação não somente para advogados, mas para outros profissionais ´por seu caráter transdisciplinar. Portanto, não só advogados, mas psicólogos, pedagogos, engenheiros, não importa a formação básica, poderão ser mediadores. Basta ter vontade de estar em constante aprendizado, saber ouvir e ter respeito pelo espaço sagrado do outro.

A possibilidade de mediação judicial em 2003 era vista com desconfiança, motivo pelo qual o Núcleo de Estudos de Mediação, por iniciativa do Dr. Bolzan, teve como objetivo inicial agrupar pessoas interessadas naquilo que se chamava de “métodos alternativos”, como base nas ADRs (Adversarial Dispute Resolution). Tem-se o ano de 2002 como marco simbólico das atividades do NEM,. Era o encontro semanal de profissionais que acreditavam e estavam fazendo experiências iniciais na área da mediação. Recebi, após a defesa da Tese, em 2004, o convite para me integrar ao grupo e desde lá, o NEM tem me motivado a diferentes experiências tanto na área prática quanto na vida acadêmica.

Na época, existiam muitas resistências, especialmente no âmbito do Judiciário. Somente em 2010, com a Resolução 125 do CNJ, quando a mediação e os métodos consensuais foram postos como política pública do Judiciário, é que o Tribunal do Rio Grande do Sul percebeu a necessidade de colocar à disposição do cidadão, além do processo adversarial, os métodos autocompositivos como a conciliação e a mediação. O NUPEMEC e os CEJUSC em Primeiro e Segundo Grau se tornaram referenciais para o desenvolvimento da mediação judicial.

Atualmente, com o Novo Código de Processo Civil (Lei 13105) e a Lei de Mediação (Lei 13140) a mediação assume uma posição privilegiada e a presença de um Núcleo de Estudos de Mediação é espaço favorável ao estudo, reflexão e propostas de atuação da mediação na comunidade, nas escolas, hospitais, comunidades.

Portanto, 15 anos de atuação ininterrupta de um Núcleo de Estudos significa que muitas foram as pessoas a tornar isso possível, compartilhando o entusiasmo pelo tema. Por isso, com alegria, vamos juntos festejar esses 15 anos de caminhada, superação, integração e cooperação social. Continuarão as reuniões de estudo, os Grupos de Trabalho e as reuniões administrativas. Mas, além disso, teremos, no curso de 2017, palestras, oficinas e cursos!
 
O Núcleo de Estudos de Mediação está em festa. É momento, então, de agradecer a todos os colegas que por aqui passaram, os que permanecem e aqueles que virão dele participar. Cada um, com sua fala e seus sonhos, traz sua contribuição e fortalece a proposta da Escola Superior da Magistratura em ter, nos Núcleos de Estudos, local adequado de aprofundamento de conhecimentos e de repercussão social.
Gratidão e parabéns a todos.
# SOMOS NEM!

(1) Entenda-se como paradigma não apenas o conhecimento compartilhado em determinada comunidade, mas o elemento usado como base para a solução de problemas . Segundo Thomas S. Kuhn: “Considero “paradigmas” as realizações científicas universalmente reconhecidas que , durante algum tempo, fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência.” In: A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 2000, p.13
(2) HOBSBAWM, Eric. Entrevista sobre el siglo XXI. 2 ed., Barcelona: Crítica, 2000, p.14
(3) Da jurisdição soberania à jurisdição participação . UNISINOS










Semediar

Mediador, semediador*

Perdoem-me os linguistas e os estudiosos do idioma.
Perdoem-me os letrados e as pessoas avessas às mudanças.
Não se trata de inventar palavras,
não estou ofendendo a Língua Portuguesa.


Digo-o por plena convicção.
Digo-o por pleno amor.
Se, no meu ofício, planto ideias... de do meu esforço saem frutos...
Nada mais justo, nada mais conclusivo
Do que me chamarem "semediador"!

*Henrique Alam de Mello de Souza e Silva, membro integrante do NEM e Mediador na Comarca de Pelotas

A advocacia e sua essencialidade à dignidade humana

Por Marcelo Malizia Cabral, Juiz de Direito Diretor do Foro de Comarca de Pelotas, RS

Créditos foto:
Assessoria de Comunicação Social
Direção do Foro de Pelotas
Neste mês de agosto quero render minhas mais sinceras homenagens a estes homens e mulheres que dedicam suas vidas a lutar pela realização dos direitos de seus semelhantes: os advogados.

No exercício da atividade de magistrado há vinte anos conheci e convivo diariamente com advogados que buscam diariamente, de modo transparente, profissional e com muita dignidade, alcançar aos indivíduos, seus clientes ou assistidos, os direitos proclamados pela Constituição e pelas Leis da República.

Os advogados acolhem as pessoas em situação de dor, de desespero, de desesperança, de desilusão, pessoas agredidas, fragilizadas, desrespeitadas. Ouvem, estudam suas situações jurídicas, seus casos e procuram, por meio do direito, devolver-lhes ou alcançar-lhes o que lhes foi usurpado, a paz, a esperança, a dignidade.

Pelas mãos de valorosos advogados testemunhei crianças serem salvas de situações de violência, o meio ambiente ser preservado, idosos recuperarem a possibilidade de viver em condições mínimas de humanidade, trabalhadores receberem seus direitos, consumidores alcançarem um produto ou serviço que lhe fora prometido, filhos reaverem o direito de conviver com seus pais e de se alimentarem dignamente.

Também pelo labor de bons advogados presenciei seres humanos em situação de vulnerabilidade ter sua moradia respeitada, obter direito à educação pública para seus filhos, conseguir realizar uma cirurgia, obter um medicamento ou um tratamento para a garantia de sua vida e saúde.

Presenciei, igualmente, pelo ofício de nobres advogados, vítimas de crimes obterem a reparação dos danos sofridos, inocentes livrarem-se de uma prisão injusta e, de outro lado, também por seu trabalho, presenciei a busca e a consecução da punição de criminosos.
Exatamente por estes e por outros tantos fatos que poderia relatar em infindáveis linhas, posso afirmar com toda a certeza e serenidade que os advogados são essenciais não apenas à administração da justiça, como apregoa a Lei Maior, mas são imprescindíveis à dignidade humana.

Merecedores, deste modo, de toda a reverência e homenagem, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, por meio da Direção do Foro da Comarca de Pelotas, está organizando uma série de atividades com o objetivo de destacar e reconhecer a relevância deste profissional que defende nossos direitos, nossa honra, nossa dignidade, nossa vida.

Peço licença para encerrar com palavras de Ruy Barbosa, patrono dos advogados: “Advogado, afeito a não ver na minha banca o balcão do mercenário, considero-me obrigado a honrar a minha profissão como um órgão subsidiário da justiça, como um instrumento espontâneo das grandes reivindicações do direito, quando os atentados contra ele ferirem diretamente, através do indivíduo, os interesses gerais da coletividade."

A estes advogados, meu respeito, admiração e gratidão.


Assessoria de Comunicação Social da Direção do Foro da Comarca de Pelotas.
Endereço: Avenida Ferreira Viana, n.º 1134, Pelotas, RS, CEP 96085.000.
Atendimento ao público: de segundas a sextas-feiras, das 9h às 18h.
Fone: (53) 32794900

NEM Memória: Homenagem ao Dr. Ricardo Dornelles

CASA DE MEDIAÇÃO: DO SONHO À REALIDADE

Por Genacéia da Silva Alberton
Coordenadora do NEM 

O meu encontro com a Mediação ocorreu por conta de tese doutoral na UNISINOS, onde tive como orientador o Procurador do Estado Dr. José Luiz Bolzan de Morais, que me fez insistentes convites para participar do Núcleo de Estudos de Mediação da Escola Superior da Magistratura da Associação dos Juízes do Estado do Rio Grande do Sul, organizado e coordenado por ele. Desse Núcleo, criado em 2002, participava o Dr. Ricardo Dornelles. Aderi ao NEM em 2004. Naquela época estudávamos uma contribuição do Núcleo ao Projeto de Lei n. 4827/1998 da então Deputada Zulaiê Cobra. O Dr. Ricardo, que já atuava como mediador com a também integrante do Núcleo  Rosemari  Seewald, compartilhava  conosco o seu sonho de  uma Casa de Mediação junto à seccional  da  OAB/RS. A resistência do Judiciário a pensar sobre o assunto era muito grande e, por isso, com ele eu também falava  sobre a minha esperança  de  ver a mediação no Judiciário, com atuação de mediadores judiciais capacitados que pudessem dar espaço de efetiva voz e vez às partes, ficando a sentença do juiz apenas para as questões complexas ou que, pela natureza, não se amoldassem a um método autocompositivo. 


Os anos passaram, o Núcleo foi ocupando o espaço social como o primeiro Núcleo a desenvolver, em 2007, um  projeto piloto de Mediação Comunitária, na Lomba do Pinheiro, no CPCA (Centro de Promoção da Criança e do Adolescente), que tinha como coordenador o Frei. Luciano Bruxel. A iniciativa pioneira rendeu um olhar de atenção da Secretaria de Reforma do Judiciário e do Tribunal de Justiça à questão mediação no Judiciário gaúcho.  Foi um trabalho de abordagem de conflitos sociais visando à prevenção da violência, com restabelecimento de respeito à pessoa, promoção de diálogo e valorização da cidadania.


A Casa da Mediação se tornou realidade e o Dr. Ricardo se viu na contingência de continuar sua caminhada. Porém, o Núcleo de Estudos de Mediação se sente honrado em colocar o Dr. Ricardo Dornelles no NEM MEMÓRIA, que significa o reconhecimento do Núcleo à atuação efetiva da advocacia, representada pelo Dr. Ricardo Dornelles, na contribuição da cidadania e da mediação no Rio Grande do Sul. Não se pode segurar o passar implacável do tempo, mas ele permite vermos sonhos se tornarem realidade e isso, na Casa de Mediação, somente se fez possível pela capacidade, liderança e confiança do Dr. Ricardo Dornelles.  

Ao Dr. Ricardo Dornelles, as homenagens do NEM.
____________________________

Com a palavra, Dr. Ricardo Dornelles*


O início do NEM e o projeto de mediação comunitária 

Dentro do núcleo nós tínhamos um grupo de estudos que debatia sobre a Lei de mediação (da Zulaie Cobra). Nós tínhamos um pequeno grupo coordenado pelo Bolzan que era formado por juízes, advogados, psicólogos e assistentes sociais. Havia uma discussão se o lugar adequado para fazer mediação é dentro do judiciário ou não. Nesta época que eu sugeri o projeto da mediação comunitária. Nós fizemos os trabalhos da mediação em si e formação dos mediadores das comunidades. 

Casa de Mediação da OAB/RS

Em 2003 eu tinha um escritório com um colega advogado comunitário. Ele era casado com uma advogada e assistente social que trabalhava com um projeto dentro do judiciário de justiça restaurativa. Achei muito interessante! Ela trouxe o Dominic Barter para trabalhar com comunicação não-violenta. Eu convidei colegas e comecei a fazer os cursos. Junto com o Dominic montamos um curso para mediadores dentro do Núcleo da Ajuris (ninguém sabia o que era). Na época estava tendo um Congresso da Unesco apresentando projetos de mediação de toda América Latina. Em um desses projetos tinha mediação entre pares com crianças do Chile e da Argentina que usavam comunicação não-violenta. De 2004 até 2010 eu fiquei vinculado à mediação e à justiça restaurativa. Depois desta experiência e de muito estudo eu apresentei o projeto da Casa de Mediação, um projeto com foco em mediação comunitária. Eu conheci o modelo da Casa de Mediação na França, li o livro e pensei: “isso aqui nós temos que criar dentro da OAB!”. A OAB RS foi a primeira OAB do Brasil com um projeto focado em mediação e práticas restaurativas. Tive muitas dificuldades, uma delas foi com a morte da Rose que era minha parceira. Além disso, o trabalho com a OAB é voluntário. Nós não temos um salário no final do mês e não temos ajudas econômicas para fazer esse trabalho. As pessoas abrem mão de várias horas da sua vida para se dedicar à OAB. Muitas pessoas começam, poucos continuam, outros largam porque têm certas dificuldades, acham que vai ter retorno do dia para a noite. É um aprendizado enorme. A Casa de Mediação tem um caráter comunitário extrajudicial dentro de uma instituição com credibilidade no Brasil que é a OAB. Eu sugeri este projeto lá na Ajuris. A Desembargadora Genaceia gostou muito e levou para o Presidente do Tribunal, que na época era o Desembargador Arminio José Abreu Lima da Rosa. Ele disse: “é a primeira vez que a comunidade vem ao Tribunal de Justiça”. Era exatamente isso: o judiciário apresentando uma visão de comunidade".

Primeiras mediações da Casa

Começamos em final de 2011. As primeiras mediações só eu fiz. Eu queria testar primeiro como é que ia funcionar. Eu fiz uma mediação entre professores que foi muito interessante. E depois fiz mais um caso que era de família. Eu queria ver como eram as dificuldades da prática. Uma coisa é a concepção do projeto, a outra coisa é a implementação dele. 

Mediação e mercado de trabalho

Enquanto OAB, nossa visão, tanto visão estadual como nacional, é  trabalharmos, fortemente, para os advogados assumirem a mediação extrajudicial, assumirem o mercado de trabalho, e não o aspecto do Judiciário. A mediação judicial tem o seu caminho, tem seus procedimentos, a condição para poder remunerar seus mediadores. Na mediação extrajudicial os próprios advogados podem assumir esse papel como uma profissão ou criar, como já estão fazendo, centros de mediação nos escritórios. Já estão começando a criar instituições, espaços nas entidades de classe e já estão começando a construir espaços para trabalhar. Hoje no Brasil quem vive de mediação são muito poucos. Claro que tem toda uma caminhada do Judiciário e da criação de uma cultura. Aí entra, exatamente, a importância da figura do advogado. É pelo advogado que passa o futuro da mediação. Porque quem é chamado para dar o parecer, seja empresa, família, o que for, é o advogado. Então ele tem que saber, isso aqui funciona assim, tem isso e isso, vamos fazer tal coisa, isso aqui não dá. 

Participação do advogado na sessão de mediação

Eu acho fundamental. Tive muita experiência no Judiciário, na comunidade, e aqui na Casa de Mediação. Os ambientes são diferentes, e isso interfere também no papel do mediador e no contexto todo. Hoje o advogado já tem mais conhecimento do que é a mediação. Claro que ainda é cultural, mas as entidades estão falando nisso, a lei está aí. Nesse último ano, em particular, o acesso a palestras na área da mediação e eventos que nós tivemos aqui, principalmente nas OABs do interior e outros lugares do Brasil, é impressionante. Muitos advogados querendo saber sobre a mediação, para que serve, como eu faço, que mercado de trabalho tem, qual é a vantagem, que limites tem. Isso é mercado de trabalho, isso é uma visão de futuro presente. O advogado tem que se preparar para isso, para poder atuar no dia a dia. É método. É resultado que tu tens que ter, prático do mercado. Claro que os questionamentos são vários. Tem aqueles que não querem, mas tem muitos colegas que tem uma postura colaborativa.

Bate-papo com as integrantes do NEM, Clarissa Ribeiro, Isabel Moura e Mariana Fernandes