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Mediação em Perspectiva

2020, o ano em que o NEM completa sua maioridade, relembramos um momento muito especial que foram os 15 anos no Núcleo, amplamente comemorados.

Na ocasião, por iniciativa da então coordenadora do Núcleo, a Desembargadora Genacéia Alberton, os integrantes do NEM reuniram-se a fim de publicar um livro com parte daquilo que era fruto dos trabalho e estudos do grupo nos últimos 15 anos. Assim nasceu Mediação em Perspectiva.

Citamos aqui a bela apresentação do livro nas palavras da Desa. Genacéia Alberton: 
Mediação em Perspectiva

"Apresentar o livro comemorativo dos quinze anos do NEM (Núcleo de Estudos de Mediação) é motivo de emoção, pois a obra se concretiza após anos de estudo, encontros, desencontros e a criação de laços fraternos, invisíveis aos olhos, mas que estão presentes no coração de cada um que passou ou que permanece nele. 
O NEM, da Escola Superior da Magistratura - AJURIS, criado em 2002 pelo Dr. Jose Luiz Bolzan de Moraes, está completando quinze anos de atividade ininterrupta. O propósito da Escola era criar a possibilidade de estudo e desenvolvimento de pesquisas em diferentes áreas do conhecimento tendo em vista o caráter transdisciplinar da mediação. 
Divulgada no sul do país por Warat, o movimento em prol de métodos não adversariais de atendimento de conflitos, especialmente da mediação, era fortalecido, na área familiar, pelos alunos de Cárdenas, da Argentina. E o NEM foi se estruturando como espaço de reflexão, de comprometimento e que exigia esforço de equipe. 
Vista como meio alternativo de solução de conflitos na linha das ADRs (Alternative Dispute Resolutions), iniciavam, de forma tímida, as propostas legislativas para normatizar a mediação. Por esse motivo, o NEM se dedicou ao estudo do projeto de lei da Deputada Zulaê Cobra para oferecer subsídios à efetivação dos método autocompositivos da mediação judicial. Os encontros eram semanais e o entusiasmo unia os integrantes do grupo. Mas, sentíamos que a mediação deveria sair de um espaço restrito de estudo, com caráter acadêmico, para a vida das ruas, para as comunidades. Surgiu, então, por várias mãos e cabeças, o Projeto Comunitário da Lomba do Pinheiro. 
Como havia um movimento favorável à mudança, com o suporte da Ministério da Justiça, por sua Secretaria de Reforma do Poder Judiciário e o apoio do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, Defensoria Pública do Estado do Rio grande do Sul e da Escola Superior da Magistratura – AJURIS foi possível levar adiante a proposta de formar agentes de mediação comunitária. 
Com perseverança, o NEM se manteve sempre ativo. Após quinze anos, vemos que foram muitos os avanços da Mediação no Brasil com a resolução 125 do Conselho Nacional de Justiça, o novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105/2015) e Lei de Mediação (Lei n.13140/2015), mas os desafios continuam. 
A proposta de um livro em homenagem aos quinze anos do NEM, através de obra coletiva, visa trazer ao público textos de nomes referenciais na área de mediação, assim como dar voz aos nossos mediadores judiciais do Rio Grande do Sul com seus diferentes olhares, apresentando aspectos peculiares da mediação em perspectiva de futuro.
Por isso, é indispensável externalizar meus agradecimentos e as homenagens do NEM aos colaboradores convidados e aos integrantes do NEM que aceitaram o convite e se dispuseram a integrar esta coletânea. A obra foi resultado de um trabalho de equipe. Eis o motivo pelo qual é necessário manifestar minha gratidão às colegas que integraram a equipe de apoio técnico: Aline Leão, Fernanda dos Santos Macedo, Olívia Teixeira, Liara Lopes Kruger e Cláudia Barbedo que, com disponibilidade, competência e atitude cooperativa, fizeram com que se tornasse possível celebrar o movimento festivo dos quinze anos NEM com a publicação da obra Mediação em Perspectiva. 
Há muito a construir, pensar e desenvolver na área da Mediação. Que a leitura desta obra inspire o estudo e a prática da mediação, colaborando para a humanização das relações interpessoais e uma cultura de paz. "

Nem Memória: Homenagem a Izabel Fagundes



O NEM Memória tem o objetivo de reconhecer o trabalho de pessoas que colaboraram para o desenvolvimento do Núcleo de Estudos de Mediação, assim como para o desenvolvimento da Mediação no Estado do Rio Grande do Sul. Nesta edição, a homenageada é a Assistente social, Mediadora, Instrutora, Supervisora (TJ-RS/CNJ) e Coordenadora dos Curso de Capacitação de Mediadores da Escola Superior da Magistratura - Ajuris, Izabel Cristina Peres Fagundes.

A Parceria e Competência de Izabel

É para mim um momento especial homenagear Izabel Peres Fagundes. Presente com Rosemari Seewald nos encontros do Núcleo de Estudos de Mediação, desde 2004,quando decidi fazer parte do Núcleo de Estudos de Mediação, via nas duas amizade e confiança mútua. Com entusiasmo e competência, Izabel participou com Rosemari e demais integrantes do Núcleo de Estudos de Mediação no Projeto de Mediação Comunitária da Lomba do Pinheiro. Percebia seus olhos brilharem ao conversar com os agentes comunitários, ao trazer notícias sobre o projeto. Não havia qualquer retorno financeiro, era pura gratuidade e crença no movimento da mediação. Quando faleceu Rosemari e fui convidada pela Desa. Vanderlei Kubiak e Des. Aquino de Camargo para pensar a mediação em segundo grau, não tive dúvida na escolha de alguém que precisaria ter ao meu lado, Izabel. Formamos o GT de implantação da Mediação no Segundo Grau. Reuniamo-nos às sextas feiras, juntamente com pessoas que acreditavam na proposta da Mediação como a Dra. Edith Nepomuceno e Desa. Vanderlei, Luciane Morais de Vargas e outros abnegados pela causa. Enquanto, silenciosamente, trabalhávamos com afinco, pensávamos nas simplificações e propostas de trabalho da Mediação em Segundo Grau e o vínculo de amizade com Izabel aumentava.

Finalmente, foi instalada a Mediação em Segundo Grau e recordo, quando Izabel, com aquele sorriso alegre, sempre disposta a superar desafios, pensou em uma Jornada de Mediação. Nessa caminhada foram se agregando outras companheiras, Gisela Wurlitzer e Liara Kruger, além da incansável Raquel Didonet. Núcleo de Estudos de Mediação e Nupemec se uniram para trabalhar em prol da Mediação. Mais uma vez Izabel me trazia uma proposta, a de apresentarmos o projeto de Mediação em Segundo Grau no Congresso de Mediação em Valência, Espanha. Tudo ia acontecendo e nos envolvendo de tal forma que nos vimos em plena Valência, falando sobre a Mediação do Poder Judiciário do Rio Grande do Sul para uma plateia atenta e ávida por saber o que acontecia na parte sul do Brasil. A comunicabilidade, responsabilidade e competência de Izabel fizeram com que se pudesse contar com ela em todos os eventos. Izabel sempre encontrava alguém ou algo a nos surpreender. Foram muitos momentos alegres e de emoção que passamos juntas em cursos, encontros de Mediação, Congressos, Jornadas de Mediação. Sentíamos que estava valendo a pena o cansaço, o estudo incessante, os inúmeros e-mails e reuniões. Izabel faz parte da história da Mediação no Poder Judiciário do Rio Grande do Sul e, por isso, merece a homenagem do NEM. Obrigada, Izabel, a Mediação agradece.

Genacéia da Silva Alberton 
Coordenadora do NEM

Depoimento

Querida Izabel: Te conhecer e conviver contigo foi e continua sendo um grande prazer. Tua maneira acolhedora e amiga abre caminhos e torna a jornada uma caminhada de sabedoria e aprendizado, com leveza e alegria. Obrigada por fazer parte da minha vida pessoal e profissional. Um grande beijo!


Gisela Wurlitzer Diniz
Mediadora, Instrutora e Supervisora - TJRS / CNJ
Foi Coordenadora Pedagógica do Nupemec - TJRS



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Com a palavra: Izabel Cristina Peres Fagundes

Durante o I Congresso Nacional do Instituto Proteger
A jornada de Izabel.
Sempre acreditei que o caminho se faz caminhando e, que nesta jornada, nunca estamos sós. Ao determinamos alguns propósitos em nossa vida, encontramos pessoas que nos estimulam a realizar nossos sonhos. Inicio meu relato agradecendo à Desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul Genacéia da Silva Alberton e aos demais integrantes da coordenação do Núcleo de Estudos de Mediação – NEM – da Escola Superior da Magistratura da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul – AJURIS - que me convidaram a socializar minha trajetória na área de mediação. A mediação passou a fazer parte de minha vida profissional quando, em 2001, como assistente social judiciária do Fórum da cidade de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, participei do curso de extensão na Universidade do Vale do Rio dos Unisinos – UNISINOS - Separação, Divórcio e Mediação Familiar: Solução Alternativa para o Litígio, promovido pelas mediadoras familiares Alice Costa Porto e Rosemari Seewald. Desde então, mudei a forma de ver os litígios judiciais e passei a interessar-me pelo tema. 
"Sempre acreditei na capacidade e autonomia das pessoas para resolverem seus próprios conflitos
Mediação Familiar e Mediação Comunitária: Vivenciando a transformação.
Izabel no NEM ( a direita), Projeto de Mediação Comunitária
A convite da colega Rosemari Seewald realizei minha primeira capacitação como mediadora familiar, dando início à prática e posterior docência em mediação. Sob sua coordenação, integrei um grupo de mediadores voluntários que atuavam nas Varas de Família dos Fóruns de Novo Hamburgo e São Leopoldo. A união destes profissionais propiciou a criação da Associação de Mediadores Desatando Nós e Criando Laços, com o objetivo de capacitar mediadores comunitários. Este importante projeto beneficiou comunidades empobrecidas do município de São Leopoldo e fazia parte do Programa de Justiça Comunitária do Ministério da Justiça e o Programa Nacional de Segurança com Cidadania - PRONACI. Em 2002, passei a participar do Núcleo de Estudo em Mediação da Escola Superior da Magistratura da AJURIS. À época, além de estudar temas referentes à mediação, o NEM preocupava-se em contribuir para a construção do Projeto de Lei Federal nº 4.827/98 de autoria da Deputada Zulaiê Cobra, que visava institucionalizar e disciplinar a mediação como método de prevenção e solução consensual de solução de conflitos. Em minha trajetória pelo NEM, em 2008, participei do projeto piloto de Justiça Comunitária desenvolvido no Centro de Promoção da Criança e Adolescente (CPCA), no bairro Lomba do Pinheiro de Porto Alegre/RS. Contribui para a capacitação de mediadores comunitários junto a magistrados e profissionais de diferentes áreas de conhecimento. Foi uma experiência inesquecível. Além de compartilhar conhecimento com profissionais comprometidos em abraçar a causa, tive a grata experiência de conviver e aprender com pessoas humildes que conseguiram, de forma hábil, lidar com os conflitos comunitários de seu cotidiano, demonstrando o efeito transformador da mediação nos diferentes campos de atuação. 


Implementação e desenvolvimento da Mediação no Tribunal de Justiça Gaúcho: pioneirismo e excelência.
Da esq para dir: Raquel Didonet, Izabel, Desa Vanderlei
 Kubiak, Desa Genacéia Alberton, Gisela Diniz e Liara Krüger
Outro desafio foi-me apresentado através de um convite da  Desª Genacéia da Silva Alberton: passei a contribuir para a elaboração de um projeto que incluiu a mediação no 2ª Grau do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul - TJRS. O trabalho realizado, motivo de destaque ao TJ-RS, foi apresentado por nós no VIII Fórum Mundial de Mediação, realizado em 2012 na cidade de Valência, Espanha. Com esse projeto, o TJ passou a ser um dos tribunais pioneiros no país na inclusão da mediação nesta etapa processual. Não posso deixar de referir-me à pessoa do Dr. Roberto Arriada Lorea, a quem serei eternamente agradecida pelo reconhecimento, incentivo e apoio nessa minha caminhada pela mediação junto ao TJRS. Em 2011, quando ele atuava como Juiz titular do Juizado da Violência Doméstica de Porto Alegre e eu, como assistente social, Dr. Lorea me apresentou o trabalho que vinha sendo desenvolvido pelo Conselho Nacional de Justiça – CNJ na implementação da mediação nos Tribunais de todo o país. Recordo até hoje do seu entusiasmo com a ideia de iniciar o projeto de mediação nas Varas de Família do Rio Grande do Sul. Fui, então, em busca desse novo caminho, contribuindo para o desenvolvimento da Política Institucional de Resolução de Conflitos através da mediação junto ao Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (NUPEMEC - TJRS). Com apoio e iniciativa da Desembargadora Vanderlei Teresinha Tremeia Kubiak, Coordenadora do NUPEMEC-TJRS, e da Desembargadora Genacéia da Silva Alberton, Coordenadora da Formação Continuada dos Mediadores Judiciais, em novembro de 2011 integrei a turma do 1ª Curso Básico de Mediação promovido pelo CNJ na capacitação de Mediadores Judiciais do TJRS. Em 2012, a convite das referidas Desembargadoras, passei a fazer parte da equipe administrativa e pedagógica do NUPEMEC-TJRS, iniciando a implementação da politica pública e institucional dos métodos autocompositivos, na capacitação, supervisão e formação continuada de mediadores judiciais que vieram a atuar nos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania - CEJUSCs de todo o Estado.

A construção de um programa de formação continuada de mediadores.

Dando continuidade ao trabalho proposto e sentindo a necessidade de oferecer aos mediadores judiciais um conhecimento mais aprofundado sobre os aspectos que contemplam a essência da mediação, surgiu-me a ideia de promovermos um encontro sobre as bases sócio-filosóficas da mediação com a professora argentina Gabriela Jablkowski, Mestre em mediação negociação e Coordenadora Pedagógica da Maestria Latinoamericada Europeia en Mediación y Negociación do Institut Universitaire Kurt Böche- Suiça e do Programa de Estudios de Pósgrado Associación Civil de Buenos Aires-Argentina. Este encontro, realizado no mês de Setembro de 2012, converteu-se na 1ª Jornada de Mediação Judicial do TJRS. Pelos temas abordados e pela qualidade de seus palestrantes nacionais e internacionais, tornou-se um evento de destaque, obtendo reconhecimento nacional e internacional. Foi o primeiro passo na construção de um programa pedagógico para mediadores na sua formação continuada. Somando-se a todas essas iniciativas, cabe destacar minha participação na criação da plataforma de supervisão em Ensino à Distância – EAD, em 2013, com o objetivo de atender as necessidades dos mediadores residentes no interior do estado do Rio Grande do Sul.  O trabalho, considerado como pioneiro e inovador, foi apresentado na I Conferência Nacional de Conciliação e Mediação do CNJ em Brasília/DF. O trabalho de supervisão também foi apresentado por mim no X Congresso Mundial de Mediação realizado  em Gênova, Itália, em 2015. Além disso, destaco a minha participação na idealização e coordenação de dois vídeos de mediações simuladas, realizados pela equipe pedagógica do NUPEMEC-TJRS, em parceria com o Centro de Ensino a Distância do TJRS (CEAD). O vídeo “A Locatária” foi incluído ao material pedagógico do CNJ na capacitação de mediadores cíveis, e o vídeo “Um bem maior” vem sendo utilizado nos cursos para mediadores familiares.




Prêmios, reconhecimentos e parcerias.

Desa. Vanderlei Kubiak, Luciane, Liara, Izabel e Gisela.
Todo o trabalho desenvolvido fez com que em 2013 o NUPEMEC/TJRS fosse reconhecido pelo CNJ como um dos polos formador de instrutores. Juntamente com mais duas colegas que comigo compunham a equipe pedagógica do NUPEMEC/TJRS, recebeu o prêmio “Conciliar é Legal” na categoria de “Instrutores de Mediação e Conciliação”. Em dezembro do mesmo anos, junto com as colegas com quem trabalhava, fui convidada a participar da I Conferência Nacional de Mediação de Família e Práticas Colaborativas para  apresentar a proposta do conteúdo programático de treinamento em mediação de família que vinha sendo criado pelo NUPEMEC/TJRS.

No centro da foto: Rosemari Seewald, Dr. Conrado Paulino
da Rosa e Izabel
Nessa caminhada, destaco a participação das colegas Gisela Wurlitzer Diniz, Liara Lopez Krüger e Raquel Sampaio Didonet, parceiras nesses cinco anos em que estive no NUPEMEC/TJRS. Muito contribuíram para o meu crescimento pessoal e profissional, ao dividirem responsabilidades e comprometerem-se de forma competente na implantação da mediação no TJRS. O avanço e continuidade do trabalho só foi possível, devido a adesão e o comprometimento de mediadores voluntários, aos quais faço o meu especial agradecimento pelo trabalho que cada um vem desenvolvendo na promoção da mediação. Nas pessoas da juíza Josiane Callef Estivalet e dos juízes Daniel Englert Barbosa e Marcelo Malizia Cabral, os quais admiro pelo trabalho que realizam. Manifesto os meus sinceros agradecimentos a todos os magistrados que acreditam na mediação e que caminharam comigo no período em que estive na equipe de coordenação pedagógica do NUPEMEC. Em julho de 2016, devido a aposentadoria, deixei de fazer parte da equipe pedagógica do NUPEMEC/TJRS. No mesmo ano, a convite dos diretores da Escola Superior da Magistratura da AJURIS, Des. Claudio Luis Martinewski e Dra. Rosana Broglio Garbin, passei a coordenar os cursos de mediação, promovendo a capacitação e supervisão de mediadores judiciais, conforme convênio estabelecido entre a ESM/AJURIS e o TJRS. Na área da docência, continuo capacitando mediadores  e ministro aulas nos cursos de pós- graduação e extensão em faculdades e em cursos especializados. Ao transmitir esses conhecimentos, percebo que os referenciais teóricos  provocam mudanças em todas as áreas em que a mediação se apresenta. Ao finalizar, registro minha homenagem e meu respeito a todos que, nesses 15 anos, através do Núcleo de Estudo de Mediação da AJURIS, têm se empenhado em promover ações específicas para que a essência da mediação seja garantida, reconhecida e, cada vez mais, eficiente na resolução de conflitos.



"A mediação tem, por essência, o poder de despertar nas pessoas o que de melhor e mais humano há em cada um de nós. Possibilita reconhecer nossa  capacidade intrínseca de construir uma convivência pacífica  e contribuir para uma sociedade colaborativa, cooperativa e mais pacífica."
Da esq para dir, de cima para baixo: 1. Izabel na Corte Norte-Americana durante Curso na Universidade de Columbia, 2. Izabel e William Ury, 3. Izabel e Sarah Coob, 4. Com Dr. Marcelo Malizia no Cejusc Pelotas/RS; 5. Em evento do IBDFAM-RS; 3. Com Joseph P. Folger e Desa Genaceia Alberton, 4. Em sessão de autógrafos do livro "Mediação de Conflitos: Paradigmas Contemporâneos e Fundamentos para a Prática”, organizados pelas mediadoras Marilene Marodin e Fernanda Molinari; 5. Com o Mediador argentino Juan Carlos Vezzulla; 6. Na posse da Diretoria do IBDFAM com Mauro (TJRJ), Dr. Conrado Paulino, Naura Americano e Luciane.







Fotos: Ciclo de Palestras comemorativo NEM 15 anos

Início dos 15 anos do NEM, palestra de seu fundador Dr. José Luíz Bolzan de Morais em 31/03/2017.


NEM 15 ANOS: CONTINUAM OS DESAFIOS

Genacéia da Silva Alberton
Desembargadora
Coordenadora do Núcleo de Estudos de Mediação
Escola Superior da Magistratura - AJURIS

Nem mago, nem profeta, o jurista, pensador e operador, trabalha com a racionalidade do Direito. Atento à complexidade de seu tempo e respeitando a necessidade de estabilização, o jurista não pode se fechar às mudanças. Participando delas, não pode apenas aplicar a normatização posta, mas deve atuar na construção e revisão do Direito.

A ele é conferido o dever de pensar o subsistema jurídico de sua época, reconhecer aquilo em que ele pode agir assim como identificar os fatos da vida geradores de inusitadas situações sociais ainda não normatizadas pelo Direito. Não pode, pois, o jurista se manter alheio ao que está acontecendo se pretender identificar quais os paradigmas que merecem ser mantidos e aqueles a superar ou superados.(1)

Porém, assim como ocorre do ponto de vista histórico, também no enfoque jurídico, o processo de prognóstico deve se basear necessariamente no conhecimento do passado, pois terá uma relação com aquilo que já ocorreu. É necessário analisar aspectos que foram importantes, as tendências que apontam e que tipos de problemas apresentam.(2)

Esse é o desafio a que nos propomos. Trabalhando por longos anos na atividade jurisdicional, percebemos que as alterações históricas não permitem mais uma jurisdição atrelada apenas à soberania do Estado, que não é mais possível à identificação de um juiz inerte, terceiro imparcial a “solucionar” conflitos individuais, não é mais possível a realização de uma jurisdição do conflito, uma jurisdição ilhada apenas a um espaço delimitado nacional. Os problemas são macro, os conflitos extrapolam a área do puramente individual, o juiz não se submete mais à carga da norma injusta, ele também não quer calar, não quer ser a boca da lei, mas a boca do cidadão.
História, pensamento filosófico de uma ação comunicativa, crise de transição e a democracia como espaço possível para uma jurisdição que precisa ser repensada são os ingredientes para uma proposta de trabalho.”

Iniciei com a introdução da minha tese de Doutorado que defendi em 2003 (3), sob a orientação do Dr. José Luís Bolzan de Morais, quando o movimento da mediação estava começando a ser difundido, abrindo possibilidade de atuação não somente para advogados, mas para outros profissionais ´por seu caráter transdisciplinar. Portanto, não só advogados, mas psicólogos, pedagogos, engenheiros, não importa a formação básica, poderão ser mediadores. Basta ter vontade de estar em constante aprendizado, saber ouvir e ter respeito pelo espaço sagrado do outro.

A possibilidade de mediação judicial em 2003 era vista com desconfiança, motivo pelo qual o Núcleo de Estudos de Mediação, por iniciativa do Dr. Bolzan, teve como objetivo inicial agrupar pessoas interessadas naquilo que se chamava de “métodos alternativos”, como base nas ADRs (Adversarial Dispute Resolution). Tem-se o ano de 2002 como marco simbólico das atividades do NEM,. Era o encontro semanal de profissionais que acreditavam e estavam fazendo experiências iniciais na área da mediação. Recebi, após a defesa da Tese, em 2004, o convite para me integrar ao grupo e desde lá, o NEM tem me motivado a diferentes experiências tanto na área prática quanto na vida acadêmica.

Na época, existiam muitas resistências, especialmente no âmbito do Judiciário. Somente em 2010, com a Resolução 125 do CNJ, quando a mediação e os métodos consensuais foram postos como política pública do Judiciário, é que o Tribunal do Rio Grande do Sul percebeu a necessidade de colocar à disposição do cidadão, além do processo adversarial, os métodos autocompositivos como a conciliação e a mediação. O NUPEMEC e os CEJUSC em Primeiro e Segundo Grau se tornaram referenciais para o desenvolvimento da mediação judicial.

Atualmente, com o Novo Código de Processo Civil (Lei 13105) e a Lei de Mediação (Lei 13140) a mediação assume uma posição privilegiada e a presença de um Núcleo de Estudos de Mediação é espaço favorável ao estudo, reflexão e propostas de atuação da mediação na comunidade, nas escolas, hospitais, comunidades.

Portanto, 15 anos de atuação ininterrupta de um Núcleo de Estudos significa que muitas foram as pessoas a tornar isso possível, compartilhando o entusiasmo pelo tema. Por isso, com alegria, vamos juntos festejar esses 15 anos de caminhada, superação, integração e cooperação social. Continuarão as reuniões de estudo, os Grupos de Trabalho e as reuniões administrativas. Mas, além disso, teremos, no curso de 2017, palestras, oficinas e cursos!
 
O Núcleo de Estudos de Mediação está em festa. É momento, então, de agradecer a todos os colegas que por aqui passaram, os que permanecem e aqueles que virão dele participar. Cada um, com sua fala e seus sonhos, traz sua contribuição e fortalece a proposta da Escola Superior da Magistratura em ter, nos Núcleos de Estudos, local adequado de aprofundamento de conhecimentos e de repercussão social.
Gratidão e parabéns a todos.
# SOMOS NEM!

(1) Entenda-se como paradigma não apenas o conhecimento compartilhado em determinada comunidade, mas o elemento usado como base para a solução de problemas . Segundo Thomas S. Kuhn: “Considero “paradigmas” as realizações científicas universalmente reconhecidas que , durante algum tempo, fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência.” In: A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 2000, p.13
(2) HOBSBAWM, Eric. Entrevista sobre el siglo XXI. 2 ed., Barcelona: Crítica, 2000, p.14
(3) Da jurisdição soberania à jurisdição participação . UNISINOS